quarta-feira, 6 de abril de 2011

Louco, sim!

“Sim sou muito louco, não vou me curar. Já não sou o único que encontrou a paz. Mas louco é quem me diz e não é feliz... Eu sou feliz” Arnaldo Baptista / Rita Lee





É assim que inicio este texto hoje. Não tenho pretensão alguma de fazer rodeios em torno das loucuras. Ou então de filosofar. Quero ser honesto! E ser honesto às vezes é sinônimo de ser firme, forte, consigo mesmo.

Já é um grande exercício de honestidade autodeclarar-se louco e, ao mesmo tempo, refutar a cura. Concomitantemente, falo de uma loucura que me leva a encontrar a paz.

Parece difícil que a loucura nos leve a encontrar a paz. Normalmente, quando somos atestados como loucos, somos retirados do convívio social, familiar, mesmo permanecendo no meio de todos. Mesmo sem sermos internados em uma clínica ou hospício.

Ninguém mais dá crédito às nossas palavras e as pessoas mais próximas chegam a cortar caminho para não nos encontrar na rua. Mas mesmo assim, me refiro a uma loucura que nos faz encontrar a paz!

Sim! Estou falando da loucura de nos prendermos a cruz e nos abraçarmos a Deus! Não existe loucura maior, São Paulo nos diz. Mas é uma loucura que sem dúvida nos leva a encontrar a paz, o amor, a vida!

Para o mundo, isso não é felicidade! Para alguns, a felicidade está em uma vida sexual desregrada, no uso contínuo de substâncias tóxicas, no vício do jogo... Mas são tudo momentos passageiros! O sexo termina, o efeito alucinógeno passa, o jogo nos tira tudo e, com isso, cada vez mais temos que nos preencher nessas coisas para não deixar que o vazio tome conta! Isso não é ser feliz – desculpe-me, mas isso é preenchimento de vazio.

Preencher o vazio de forma errada, não dá certo! Nos afunda, nos tira integridade física e moral, nos desfigura! Faz mal!

Bem na verdade, louco é quem nos aponta, mas no fundo não é feliz! Apenas foge da sua realidade com coisas passageiras por medo de encarar a si próprio e os seus defeitos!

Eu sou feliz e muitas outras pessoas também!





Paulo dos Santos

terça-feira, 1 de março de 2011

O dilema de uma paternidade anunciada

Chega um dia na vida em que a notícia vem... O homem torna-se pai! Incrível como essa notícia vem, na maioria das vezes, fora de uma hora propícia e acompanhada de certo susto. A mulher não se assusta, a mulher se conhece, sabe. O homem descobre! E descobertas espantam!


Homem é bobo, gosta de mostrar que está com a situação dominada, sob controle. E, normalmente, finge um contentamento para mostrar que está tudo bem, enquanto que, na realidade, está tendo um princípio de desmaio misturado com um enfarto por dentro.

Depois, como toda grande descoberta, o homem passa a se acostumar com a ideia, chega a imaginar a criança tecendo as primeiras palavras, que na sua cabeça será “papai”. Imagina mil e uma coisas... No princípio, sonha em ter um menino. Quer uma companhia para jogar bola, ver futebol, tomar cerveja, falar de mulher... Coisas de homem. Menina... Menina estuda!

Mas como toda descoberta, acaba sendo informado que o nome do bebê é Manuela, afinal, o exame mostrou uma menina. Mais um sorriso no rosto para mostrar contentamento, enquanto cria raízes internas para absorver a ideia em ser pai de uma menina... Mulher!

Já tinha criado mil e um planos para ser pai de um garotão forte, alto, bravo e destemido. Mas eis que surge uma moça frágil, frágil... Frágil! Frágil! “Bom, nada melhor do que ser pai de uma princesinha” pensa tentando se convencer que era o melhor que podia acontecer!

Ama tal qual fosse um menino, mas tem medo. “Um menino é fácil.” Sim, um menino é mais fácil! Afinal todo homem já foi menino, já conhece a evolução do corpo, da mente. É mais fácil falar com um menino sobre certos assuntos, do que explicar para uma menina o porquê dela menstruar. Mas tudo bem, está disposto a tentar!

“Vai ser bom...” Será! “Menina é mais carinhosa.” Sim! Enquanto dorme sonha com belos momentos entre pai e filha. Noite de inverno, frio, chuva, filme e pipoca, a sua pequena deitada no seu colo e fazendo carinho em sua barba, enquanto assiste pela décima vez ao filme preferido da sua princesa.

Ela correndo na saída da escola para abraçar o pai que vem buscá-la. Ela que se joga em seus braços para soluçar lágrimas incontidas... Menina é carinhosa. Tudo, então, passa a se tornar tão belo!

Pai gosta de exclusividade. Divide o carinho da filha com a esposa, afinal é a mãe... Mas gosta de exclusividade! Esta exclusividade está ligada na incompetência do homem em pensar no futuro. Ele sequer imagina que a filha, um dia, vai crescer. Seu corpo de adolescente denotará o que está para vir como mulher. E, com isso, muitos meninos ficarão em volta querendo um pouco de atenção da sua menininha!

Eis que chega o dia em que ela deixará de ser a filhinha do papai e ele terá de vê-la no colo de outro – um desconhecido, feio, ignorante e arrogante – que teima em mostrá-la como um troféu. Sim, afinal é a sua princesa agora!

Nada do que este boçal faz agrada, afinal ele está com sua filha nos braços. Até que o pai descobre que ele também torce pelo Internacional... Ah! O Internacional! Se torce pelo Internacional torna-se mais que genro, torna-se filho. Eis que está tudo resolvido!



Paulo dos Santos

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Palavras...

Texto publicado no "Jornal da Comunidade", da última semana do mês de março de 2011

Palavras...

Gosto das palavras. As palavras me fascinam! Com as palavras posso dar vida ao inanimado, transformar um pensamento em realidade. Curar as dores e fazer outrem chorar. Palavras modificam, palavras deixam tudo igual! Palavras...


Como nos causam interesse as pessoas que sabem usar bem as palavras. Os grandes nomes da nossa história eram grandes usuários das palavras. Não digo da língua, mas das palavras. Falar todos sabemos, cada um a sua língua... Mas, usar as palavras, mexer na imaginação. Tornar o irreal possível, são poucas as pessoas que têm essa pré-disposição!

Eu gosto das palavras. Talvez não seja bom usuário delas, mas tento ao máximo me envolver com o seu encanto! Delicio-me com suas interpretações, significados e variantes! Deleito-me com seus trocadilhos em antônimos e sinônimos permanentes. Gosto das palavras.

“Palavras não são más, palavras não são quentes, palavras são iguais, sendo diferentes.”(Titãs, Palavras)

Palavras mudam vidas. Fazem retornar ao passado, mexer na ferida aberta e reorganizar os sentimentos. Palavras mudam histórias. Palavras são eternas! Palavras são loucas!

Palavras iniciam guerras, trazem também a paz. Palavras iniciam governos e também a anarquia. Palavras acalmam o coração, mas também são o estopim do desespero! Palavras mexem com a história! Palavras...

Palavras têm poder, palavras são palavras e podem fazer tudo desaparecer!


Paulo dos Santos

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Via Láctea

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso

Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quieto
Isso passa.
Amanhã é outro dia
Não é?

Eu nem sei por quê me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim.

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou.

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim...





Legião Urbana!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lembrança

Muitas coisas me fazem lembrar o meu pai! Fotos, situações, conversas, músicas... Quem nunca vagou pela memória, correndo junto às lembranças de um grande amor?

Grande amor! Essa é a expressão que uso para caracterizar a minha relação com meu pai, que não acabou naquele dia estranho, que sequer quis acabar na minha memória!

Meu pai era um cara legal. Normal diante das normalidades do mundo! Alguém que talvez não tivesse se deixado crescer totalmente para ficar andando pelo mundo infantil junto com o filho, que só sabia fazê-lo lembrar dos desenhos infantis antigos e que antes de dormir era quase que obrigado a recitar uma ladainha de imitações consagradas, nem tão boas assim, por parte dele, mas maravilhosas – de minha parte!

Muitas situações nos fazem rememorar àqueles que ficaram na lembrança. É estranho como algo que não tem nada a ver com a situação, nos leva imediatamente a ela. Foi assim quando vi uma foto estranha, num blog estranho... Fui jogado, de imediato, ao meu passado, nem tão passado, em que tudo era motivo de festa e brincadeira! Tempo em que meu pai me pegava no colo, deitava-me no sofá e fazia das minhas pernas como um braço de violão, ao mesmo tempo em que ficava a formar ritmos em meu corpo franzino, o que me fazia rir pelas cócegas que me dava.

As grandes batalhas e confrontos finais de salvação do universo em que o Power Ranger Prata – eu – sempre vencia os terríveis monstros intergalácticos – meu pai! Brincadeiras de domingo, sábado à noite, sexta, quinta, quarta... Vida de quem se permite amar! Aquele que ama, entra no tempo do outro... Assim meu pai fez comigo, entrou no meu tempo, viveu a minha vida junto comigo. Não era necessário que eu me apressasse para entrar no tempo dele e entender horas de reunião, ou o que fosse. Ele entrou no meu tempo para viver comigo e por amor me chamar não só de filho, mas de amigo!

Os amantes não são apenas marido e mulher, pai e filho, mãe e filho, vizinhos, namorados... Os amantes são, acima de tudo, amigos! Os amantes são cúmplices!

Não posso me queixar de nada, tive quem eu amei, do meu lado, pelo tempo necessário! Ainda tenho o amor. O amor não morre quando se há lembranças... E essas, eu tenho muitas!



Paulo dos Santos

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Promessas...

“Prometa-me o que queres, que te prometo o infinito!”

Impressiono-me com a facilidade que temos em fazer promessas. Mais... O que realmente impressiona na humanidade é a falta de compromisso com as promessas que fazemos.

Quantas vezes, ao iniciarmos um novo ano prometemos mudanças radicais de vida, de visão e de enfrentamento. “Este ano vou começar uma dieta!”, “Vou tirar um tempo para exercícios físicos”; para os mais espiritualizados, “a partir de agora, vou ter mais tempo para rezar!”... E assim, sucessivamente.

Quantos decidiram, “é hora de aprender a tocar violão, ou qualquer outro tipo de instrumento musical que impressione!”... “Ah, é hora de formar minha banda de rock!”. Todos, sentimentos que brotam e que de uma hora pra outra decidimos prometer cumprir, como se estivéssemos dizendo: “quando tiver fome, vou comer o que tiver no armário!”

Como aqui, por exemplo, a cada novo texto que eu posto eu prometo, “farei novos posts semanais”... Ora, mais uma coisa que não cumpro! Assim como não cumpro nenhuma das promessas mirabolantes de emagrecimento e de laços afetivos!

Quantas pessoas ficaram pelo caminho... Sou muito insensível, isso sim, prometo visitar os amigos e não apareço, deixo-os só na espera. Pelo menos eu sei que eles me entendem, talvez eles não cumpram com muitas de suas promessas também.

Reclamamos dos políticos que prometem, prometem e não fazem... Mas, sem querer isentar ninguém de culpa nenhuma, o problema é que hoje em dia usamos as palavras erradas em qualquer momento, pois banalizamos o sentido de muitas delas. Quantas ideias transformadas em promessas, sem querer prometer! Quantas promessas de amor eterno, sendo que não estávamos dispostos a nem a amar, quem dirá prometer.

Promessas, promessas! Promessas que ficam, promessas que vão. São promessas de desejos intuitivos que brotam e que, no mínimo, tentam fazer com que a gente corra atrás de muita coisa.



Paulo dos Santos

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eternos Devaneios - II

Hoje à noite, fui agraciado ao ler um texto de uma grande amiga. Enquanto lia, no início um pouco a contragosto, pois estava cansado para ler, minha alma começou a se encher de um sentimento que até agora não sei definir. Sei apenas que me tomou por inteiro e me fez pensar em minha própria vida.
            Posso confessar que senti vontade de chorar, não senti a alma pesada, triste, mas senti que meu coração necessitava que eu abandonasse àquelas lágrimas que brotaram ao ler cada linha. Não chorei! Acabei segurando ao máximo a lágrima e não permiti que ela caísse! Me doeu mais segurar a lágrima, do que o fato de tê-la brotado do meu coração enquanto lia e via minha vida passar nos meus olhos.
            Em seguida, fui acometido por uma vontade louca de escrever sobre o sentimento de ler aquelas belas linhas... Ultimamente tem sido assim. Tenho parado pouco, tenho me sentado muito pouco para escrever, mas – ao mesmo tempo – tenho sentido em mim uma grande vontade de encher várias páginas com rascunhos e sentimentos que da minh’alma brotam. Ultimamente, tenho tido vontade de dar vida ao banal!
            Perdoe-me abusar da paciência, mas era necessário deixar registrado, aqui, mais um pouco dos meus eternos devaneios!



Paulo dos Santos