terça-feira, 2 de agosto de 2011

“Quem sou eu?”

“Quem sou eu?” Ouso frequentemente perguntar. De fato, quem sou eu?! Sou o que pergunta ou que duvida? Sou o que busca a resposta, ou o que para na interrogação? Nem sempre sei quem eu sou.

Duvidar de mim mesmo, das minhas capacidades, isso é normal para quem não se conhece ainda. E eu não me conheço! Duvidar das minhas próprias expectativas, isso normal para quem não sabe esperar.

Eu espero em Naquele que me dá força. Não sei esperar muito bem, mas espero. Quero esperar no meu tempo, e não no tempo Daquele que pode me dar às respostas.

“Quem sou eu?” Ouso frequentemente perguntar. Às vezes tenho medo da resposta, tenho medo para onde isso tudo pode me levar, mas mesmo assim ouso fazer a pergunta. Olho tudo em volta e me esqueço de olhar o principal, o coração. Lá está uma gama de respostas que a vida tem me feito, ferozmente, perguntar.



Paulo dos Santos

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Livre para voar

Acabara de soar a campainha do despertador. 5 horas da manhã e Tereza já estava correndo para o banho. O dia será cheio, aliás, que dia não é cheio em sua vida? Acordar às 5 horas, tomar banho, preparar o café para os dois filhos que ainda vão ao colégio, pegar o ônibus das 6, o trem quarenta minutos depois. E chegar ao serviço às oito.

Depois de um dia cansativo, voltar para casa às 17 horas, tomar a lição dos filhos, arrumar a casa, lavar a roupa, fazer a janta e depois já tarde da noite, ir para a cama. Vida que não para. Pensa consigo, “andam dizendo por aí que cabeça vazia é oficina do diabo, ora eu mal tenho tempo para viver, quem dirá para esvaziar a mente”.

Sua vida é assim desde o dia que Agenor, seu marido, entrou em casa lúcido, coisa que pouco acontecia, e disse que estava indo embora. Arrumara uma nova mulher. No início pensou que morreria ela e os dois filhos, depois se permitiu entrar em uma pequena depressão. Até que quinze dias depois, levantou da cama, abriu todas as janelas da casa, ligou o rádio bem alto e pôs-se a dançar.

Os vizinhos diziam:
- A Tereza enlouqueceu!
- Acho que dessa vez ela se mata!
- Essa mulher tem problemas!

Não! A Tereza descobrira que estava liberta. Desses dezoito anos de casada com Agenor, o vira entrar bêbado em casa durante dezessete. Descobrira que não aguentava mais apanhar calada. Começou com um pequeno tapa no rosto e já estava levando socos de mãos fechadas.

Fizera de tudo para não terminar. Amava aquele homem. Cuidava dele mesmo depois das agressões. Enquanto apanhava, segurava firme nas mãos a xícara de chá de marcela para que não se perdesse nenhuma gota no chão.

O amava, mas durante aqueles quinze dias, viu que não conseguiria suportar a dor da traição. Doeu muito mais saber que não era a única, do que todos os tapas que levara.

Agora era vida nova! Levantar a cabeça. Vestiu sua melhor roupa, maquilou-se muito bem e foi à procura de um emprego. Conseguiu de doméstica numa casa de patrões ricos. Descobriu a liberdade que por anos não tivera.

Viu que isso lhe fez bem. Na volta, passou na Igreja, tinha fé. Ajoelhada, disse para Deus que não tivera culpa de estar separada, mas que agradecia por ter ficado livre. Livre para voar. Não se importaria de trabalhar incansavelmente por anos, desde que pudesse viver, então, tudo aquilo que se privara por uma vida.





Paulo dos Santos

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Tramas do fim

Madrugada alta, não conseguia mais dormir. Roberto sentia que o fim chegara! De fato, não tinha mais o que ser feito, era o final que batia à porta e pedia espaço, não apenas para entrar, mas para instalar-se em sua vida de fato.


Sentia que ainda amava aquela mulher. Luana fora especial demais em sua vida para que pudesse esquecer assim tão rápido e tão fácil. Juntos, sonharam um futuro próximo em que subiriam ao altar e dariam seu “sim” até a eternidade. Juntos, planejaram o que fariam depois de casados. Juntos, juraram se amar até o dia em que a morte lhes aparecesse no caminho.

Agora as lembranças de cada momento, sonhos, beijos, se faziam presentes na sua memória e lhe davam cada vez mais certeza de que seria muito difícil esquecê-la, muito mais do que poderia inclusive imaginar naquela hora.

Do outro lado, Luana também deixava a lágrima cair. Não fazia cerimônia ante os sentimentos que lhe rodeavam. A dor pelo fim se fizera presente, e não conseguiria fazer outra coisa senão permitir que as lágrimas descessem pelo rosto.

Dor doída. Não uma pequena dor, mas uma dor que abre o peito, dilacera o coração. Dor maior que a de uma lança. Aprendeu amar aquele homem. A cada dia foi se apaixonando mais e o sentimento foi surgindo. Dor que esmaga, dá nó! Esmaga o peito, dá nó na garganta.

Luana aprendeu a amar aquele que a amou primeiro. Roberto a amou, mas não o suficiente para fazê-la integralmente feliz. Era a hora do fim. Nada poderia adiar o que já estava consumado.

O amor ainda existe, eles não conseguem negar. Luana e Roberto sentem que este amor nunca acabará, nem mesmo com o fim de um relacionamento que não soube frutificar.



Paulo dos Santos


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rascunhos

Escrever, para mim, não é tão simples! Tem toda uma magia por trás do que escrevo. Tem toda uma entrega que, depois, quando leio, cada linha denota quem eu sou!

Escrever, para mim, é como que um ritual! Devo estar envolvido naquilo que escrevo para tornar vida àquilo que vivo!

Escrever, para mim, é como viver! Aqui libero aquilo que sinto para que junto às letras possa ganhar vida própria!

Escrever, para mim, é como um sonho! Em que me permito sentir e viver o mais abstrato do meu sentimento e deixo-o voar na nuance do pensamento!

Escrever, para mim, é como estar apaixonado! Em que me deleito ao deitar no papel o que sinto, para sorver, como que dos mais belos lábios, a entrega apaixonada de alguém que se permite amar!



Paulo dos Santos




quarta-feira, 15 de junho de 2011

Enigmas de um tempo

O tempo é um mistério que ainda não sabemos como definir e viver. Não falo em tempo, como hora ou estação, falo em tempo enquanto vida, sentimento e emoção. Falo em um tempo em que muitas vezes queremos estar. Falo em um tempo em que muitas vezes só nos resta sonhar.

Tem dias que a vontade de sumir bate ao mesmo tempo em que quero ficar. Tem dias que a vontade de correr está ligada a vontade, louca, de parar. Tem dias que tudo o que quero é me apaixonar.

Tem vezes que nem o meu querer sei definir. Tem vezes que tudo parece fugir e eu aqui não sei como faço para me encontrar. Tem vezes que sonho e não faço questão de acordar. Tem vezes que acordo porque não quero sonhar.

Tem noites que passam sem nem que eu possa notar. Tem noites que voam não dando chances de eu descansar. Tem noites que me escondo no escuro para não mais te ver. E tem noites que a vela acendo para tentar te conhecer.

Paulo dos Santos
               

terça-feira, 7 de junho de 2011

Será que sou do contra?

Acho que levo muito a sério a frase de Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra!” Não sei, mas é muito estranho como eu não consigo gostar daquilo que é unânime!

Romário e Ronaldo não passam de simples atacantes, a meu ver, que precisavam da bola nos pés para marcar; nada além do normal. Sundae não é tão bom quanto aparenta. McDonald’s é pequeno e tem gosto de isopor industrializado. Cinema é desconfortável. A maioria dos sertanejos universitários são ruins e desafinados...

É estranho, mas eu acabo me tornando do contra! Penso que quando algo se salienta e aí surge aquela onda “apaixonada” em torno de um gosto só, falta na realidade senso crítico e personalidade daqueles que aderem.

Está certo, sei que eu posso ser o chato da vez... Mas é estranho ver que algo falho não é contestado, é simplesmente aceito pelo senso comum. Acho que aí está o problema, na sociedade sobra o senso comum e falta a análise séria e responsável da realidade! 



Paulo dos Santos

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"O que nos falta é coragem de jogar tudo pro alto e não mais nos preocuparmos com os cacos; apenas pegar a reta e sumir para sermos felizes!!"

Paulo dos Santos