sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os sacerdotes que abusaram de mim

Segue a livre tradução de um texto bastante forte sobre as tremendas experiências que uma pessoa teve com alguns sacerdotes. Ouso dizer que esses formam parte da maioria. Cuidado com eles…
Quanto era muito criança, sem ter consciência, sem liberdade, sem poder defender-me, um deles me fez filho de Deus, herdeiro da Vida Eterna, Templo do Espírito Santo e membro da Igreja, nunca poderei perdoar-lhe por ter-me feito tanto bem.
Outro insistiu em meus tenros anos em inculcar-me, violentando a minha vontade, o respeito pelo nome de Deus, a necessidade absoluta da oração diária, a obediência e a reverência aos meus pais, o amor pela minha pátria, e me ensinou a utopia de não mentir, não roubar, não falar mal dos outros, perdoar e todas essas coisas que nos fazem tão hipócritas e ridículos…
Outro apareceu mencionando que o Espírito Santo devia vir completar a obra começada no Batismo, que me fariam falta seus dons e seus frutos, que já era hora de que viesse em minha ajuda Aquele que me faria defender a Fé, como um soldado. Que ousadia falar em termos tão bélicos! Fez nessa época que eu cuidasse minha alma frente ao mundo, que fosse nobre, leal e honesto…
Outro abusou dando-me livros para ler, não lhe bastassem seus conselhos, que faziam colocar o olhar na eternidade e viver como estranho aqui na terra. Quem tirará agora da minha cabeça os quatro Evangelhos? As glórias de Maria? A imitação de Cristo? As Confissões? As Moradas? Etc. Quem será capaz de curar-me de todos esses tesouros que me marcaram para sempre?
Outro abusou da minha ignorância ensinando-me coisas que não sabia. Outro não falava, mas sua vida virtuosa me inclinava cada vez mais a imitá-lo. Houve alguns que se aproveitaram de mim em momentos inesperados e me corrigiram, me alentaram, e até rezaram por mim.
Outros, quando eu já estava em um círculo do qual não podia sair, insistiram com minha natureza caída e me incitaram a receber a Jesus Cristo em Corpo e Sangue, para resistir aos embates do inimigo, para fortalecer minha fraqueza e santificar-me cada dia mais. Embora, para aquele que leia esta denúncia, pareça que isso já é demasiado e que não seja possível, digo-lhe que os abusos seguiram aumentando, e tudo passou a coisas maiores. Cada vez que conhecia um sacerdote, se aproveitava de mim com renovados métodos, relíquias, santinhos, água benta, terços, bênçãos e orações de todo tipo, armavam um cerco com tremendos benefícios que chegaram ao limite do suportável.
Quero deixar clara esta injustiça cheia de perversidade, e que atendam a minha reclamação nesta denúncia, por que sei que alguns deles estarão esperando-me para seguir com essa iniqüidade, sentado num confessionário ou ao lado de minha cama quando estiver moribundo, e, ainda que desapareça, seguirão com sufrágios pela minha alma e súplicas de misericórdia.
Quero que se somem a minha voz todos aqueles que foram vítimas desses incidentes, e se sentiram ultrajados por estas pessoas, pois sei que a outros os uniram em matrimônio, a outros lhes descobriram a vocação, a outros até chegaram a ajudar-lhes materialmente ou guardaram com chave em seu coração, para sempre, segredos tremendos de suas misérias humanas.
Cuidemos seriamente para não termos trato com eles. Não demos a eles nossos dados. Não os olhemos nos olhos, não os consultemos absolutamente para nada. Não sigamos nenhum de seus passos, pois corremos o risco de um dia cair em suas armadilhas e salvar-nos eternamente”.
Neste dia em que ficamos sabendo da morte de José Saramago, posto uma linda frase deste autor. A li pela primeira vez hoje, e ela me deixou meio atônito, de tão profunda e divinal clareza.

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

Medo X Decisão


Muitas vezes, nossas indecisões nos fazem sofrer e as pessoas que amamos também. É necessário criar coragem e dar um passo a frente! Decidir-se!!
Tem vezes que o peso da decisão nos limita a ficarmos no nosso canto, parados, totalmente inertes, esperando que o futuro decida por nós. Tem vezes, que deixamos o tempo certo da tomada de decisão passar e não damos o nosso passo em direção horizonte.
O medo de errar, o mede de não ser feliz, o medo de perder aqueles que amamos faz com que cada vez mais nos acomodemos e nos acostumemos com o que estamos vivendo e não procuramos o que realmente importa.
Tem uma canção da banda católica Vida Reluz que nos diz: "ser feliz também implica em ser melhor". Ser feliz também implica em fazermos os que estão a nossa volta felizes. Essa é a verdadeira felicidade. Não adianta adiar o inadiável, tendo em mente o simples fato de não magoar àqueles que nos amam. Não adianta levar a vida da forma como está apenas para não mexer em grandes estruturas, isto é, mexer em vidas que não são somente a sua!
Se não somos felizes, não conseguimos fazer os que nos amam felizes. A felicidade não se dá só, mas ela deve completar-se. Só conseguimos ser inteiramente felizes, fazendo os outros felizes.
Por isso é necessário tomar a decisão certa e na hora certa, não adiar e nem pestanejar. Simplesmente, ter coragem e confiar; simplesmente!


Paulo de Oliveira dos Santos

terça-feira, 4 de maio de 2010


Hoje, estou colocando neste blog, um texto que foi postado por Dom Henrique Soares, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju. Para ter certeza que não é invenção minha, coloco o link para que acessem: http://costa_hs.blog.uol.com.br/. O texto segue:


Caro Internauta, diante do circo demagógico que a CPI da pedofilia armou em Arapiraca, vale a pena ler este texto do Desembargador Antônio Sapucaia, um dos mais íntegros e respeitados magistrados de Alagoas. E continua o circo, com o SBT e o jornalista Roberto Cabrini descendo a um tipo de jornalismo realmente deprimente – tão ou mais que a prática dos padres em questão... Afinal, há vários tipos de imoralidade e tara humana, além das imoralidades sexuais. Exemplo disso, é o tipo de jornalismo ao qual Roberto Cabrini tem se entregado neste caso de Arapiraca... O circo está armado, o circo continua... sintoma de uma sociedade doente – Afirmo isto sem em nada querer minimizar os atos vergonhosos dos envolvidos! Segue o texto do Dr. Sapucaia, o mesmo que afastou vários deputados da Assembleia Legislativa de Alagoas (portanto, um homem avesso a qualquer tipo de imoralidade):


Não tenho absolutamente nada contra homossexuais, que cada vez mais estão dando corpo às suas práticas, realizando congressos e estimulando encontros sociais para defender a sua opção sexual. Enquanto isso, sou visceralmente contra a pedofilia, como não poderia deixar de ser, considerando que durante 37 anos exerci a magistratura e, como tal, tive que me manifestar por dever de ofício contra essas perversões sexuais e todo tipo de conduta ouriçada contra os princípios legais, desde que me caíssem às mãos de julgador.

Faço questão de deixar claro, também, que nunca fui coroinha e nem nunca tive vocação para ser padre, o que considero uma atividade altamente respeitável e inspirada por Deus.

Mas, confesso, distante dos confessionários, que fiquei indignado com o espetáculo deprimente que a televisão mostrou durante alguns dias, envolvendo padres que seriam homossexuais e estariam praticando pedofilia.

Foi um espetáculo nojento, abjeto, repugnante sob todos os aspectos, tendo à frente um senador-cantor, Magno Malta, que parece desconhecer a ética, o respeito à sociedade e não atentou para o malefício que causou e repercutiu junto aos menores de idade que têm acesso à televisão.

Chegou a Arapiraca, montou o espetáculo, transformou-se no principal ator das cenas picarescas e se exibiu inteiramente à vontade, como se estivesse a rebolar como cantor, à semelhança dos shows que leva a cabo nas televisões brasileiras.

Arapiraca, Alagoas e o Brasil não mereciam tão desavergonhado espetáculo levado à cena pelo senador-cantor, que se mostrou um autêntico canastrão. Foi demais!

O homossexualismo está tomando corpo, e a cada dia vem inovando corpos para introduzir a experiência, no Senado Federal, nos ministérios, nos governos estaduais, enfim, em todos os segmentos sociais. Mas entre a sua prática, que não é de todo aceita, e o que foi feito em Arapiraca, a impressão que ficou é de que o senador Magno Malta é visceralmente desprovido de ética, de bom senso e despreparado para a função de inquisidor. Foi injudicioso, perverso e leviano, talvez instigado pelo fato de ser evangélico, no que não quero acreditar, pois seria uma mesquinhez desproporcional.

A propósito, quem assistiu às cenas deprimentes levadas ao ar deve ter observado que o senador-cantor em determinado momento chegou a indagar de um dos sacerdotes se ele pagava aos seus parceiros de sexo com as moedas recebidas dos fiéis. A ilação que se tira da pergunta é que teve a capciosidade de denegrir a Igreja Católica como um todo, visando a depreciar o que se arrecada pelo clero nas missas, como se não existissem os dízimos em outras religiões, normalmente obrigatórios.

Que o senador Magno Malta viva rebolando nos palcos brasileiros, exibindo a sua voz de poucos recursos, não é nada demais, embora me pareça incompatível com a sisudez que a função de senador exige. Mas vir a Alagoas travestido de ator, apresentar-se com um texto mal escrito e mal conduzido, causando males à sociedade e principalmente às crianças, que devem merecer todo o respeito e não ficar à mercê de sexos explícitos em horários proibidos, foi altamente condenável.

São louváveis a sua predisposição e as atitudes que vem tomando contra a pedofilia. Mas em Arapiraca foi absolutamente condenável a maneira como conduziu o espetáculo que montou, sem ao menos selecionar a plateia, além de revelar-se um insuportável canastrão. Só faltou pedir ao público que estava no auditório que batesse palmas para que o espetáculo deprimente fosse completo.

domingo, 25 de abril de 2010

A importância do abraço


Hoje, pouco se fala, pouco se comenta, da importância que um abraço pode ter na vida de uma pessoa, de uma sociedade. O abraço, quando dado de forma carinhosa, amorosa e espontânea pode curar das mais diferentes mazelas, amarguras.
A sociedade que, de acordo com a sociologia, é um conjunto de pessoas que compartilham propósitos, preocupações e costumes e que interagem entre si constituindo uma comunidade, nunca foi tão impessoal e tão fechado na individualidade. As pessoas, personagem principal da sociedade, estão cada vez mais preocupadas em si próprias, do que em compartilhar as suas atividades, crenças, costumes com àqueles que, juntos, formam a comunidade.
A palavra sociedade vem do latim, societas que significa “associação amistosa com outros”, portanto, viver em sociedade é viver com o outro, viver com as pessoas, ter contato. Não existe sociedade de uma pessoa só, não existe comunidade quando há o isolamento, mas é isto que a atualidade tem nos mostrado, a queda da sociedade e o crescimento do individualismo.
Quantos pais não têm uma relação de comunhão com seus filhos. Quantos pais perdem todo o seu tempo com coisas pessoais, próprias, e deixam a família de lado, não se preocupam com as notas do filho na escola, nem com o amadurecimento deste que está deixando de ser uma criança e entrando em uma fase de descobertas, e aqui não podemos nos esquecer dos envolvimentos que levam a drogadição. Mas como perceber isso, se cada vez mais se prima pelo individualismo.
Muitas vezes ouvi falar que a família é uma instituição que está falida. Sinceramente, não concordo, mas se realmente for verdade, essa falência se dá pura e simplesmente por causa do individualismo criado dentro das próprias casas. Os filhos, quando estão em casa, trancam-se nos seus quartos deixando de participar da vida familiar, os pais no seu isolamento não participam do cotidiano dos filhos. Agora pergunto, onde há a interação entre as pessoas da própria casa? Não encontramos, e se é difícil encontrar interação entre membros de uma mesma família, quem dirá encontrar interação com pessoas que se veem tão raramente.
Com a ascensão da internet perdeu-se o contato físico, o olho-no-olho, e criou-se o distanciamento, emparedamento – que neste caso nada mais é do que colocar uma parede entre a convivência. O amor foi deixado de lado, o amor foi sendo colocado em segundo plano. As pessoas foram aprendendo a viver com isso, dessa forma, não mais em comunidade, mas primando pelo individual, e colocando paredes onde, antes, havia o sentimento.
Por isso que inicio falando que o abraço é capaz de curar, posso dizer também restaurar. É interessante ver a reação das pessoas, em um grupo, quando alguém chega e vai passando carinho por meio dos seus abraços; as pessoas não sabem a forma como reagir. O abraço tem poder curativo, muito mais do que qualquer remédio e psicanálise. O abraço cura a depressão, cura a doença que não está na carne, mas está na mente, no espírito.
O abraço desarma! Digo isso, porque quantas são as pessoas que se desarmaram ao receber um abraço de carinho, que ao chegarem a um local estranho armaram-se da vergonha e do medo e, com um abraço sincero, passou a sorrir e foi quebrando aquele “gelo”.
Abraçar é passar carinho, amor. Abraçar é sentir o amor transmitido pelo outro. O abraço cura, o abraço nos faz amar. E que a cada dia mais, possamos reascender a chama da doação, doar-se também é amar e amar-nos, uns aos outros, faz bem a toda a sociedade.



Paulo Santos

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lá Fora

Andei tantas vezes perdido, sozinho
Não recebia carinho, atenção!
Andei por tantos lugares, milhares
Sem ter fé, nem razão!
Fiz todas as coisas que queria,
Mesmo sabendo que não devia!
Sem perceber que era em vão!
Andava, não via ninguém...
Procurava, não via a luz.
Fugi, me perdi, dei a volta
E não me encontrei,
Até que te vi ali do lado e, juro,
Quase parei!
Parei com medo do teu abraço...
Parei com medo da tua mão...
Parei com medo da minha própria vida...
Parei com medo por não ter razão!

Ao te ver, percebi meus erros,
Caí no chão, pensei que não conseguiria levantar.
Então, com grande amor, aproximou-se de mim,
Mas com medo, me rastejando, não quis olhar.
Não quis ver tua mão estendida,
Não quis ver tua mão a me ajudar,
Não quis ver tua mão tão segura,
Que me ensinaria, novamente, a caminhar!

Chorando baixinho, cabisbaixo
Procurava uma forma de me levantar
Então com dificuldades, aceitei tua ajuda...
Ah, se soubesse que bom seria!
Ah, se soubesse como me queria!
Ah, se soubesse quão afável és!
Te abraçaria logo...
Me agarraria em ti...
Não me perderia assim!

Lá fora, o mundo é escuro,
Não se encontra o amor!
Falta o combustível
Que segura a cabeça e a mão!
Lá fora, falta união
E compaixão!
Lá fora, falta paz
E gratidão!
Lá fora falta Deus
No coração!



Paulo de Oliveira dos Santos

quinta-feira, 5 de março de 2009

Conversão


CONVERSÃO segundo o dicionário é: transmutação, transformação, mudança de forma ou de natureza.
Partindo desse princípio, vejamos o que diz o Evangelho de São Mateus, capítulo 9, versículo 9:
“Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: ‘Segue-me. ’ O homem levantou-se e o seguiu.”
A conversão vem de um ato de aceitação. Quando aceitamos uma verdade, começamos a nos remodelar de acordo com essa verdade. Queremos sair da mentira e vivermos junto da verdade, através de uma nova vida.
Mas ao mesmo tempo, é difícil acreditarmos na vida nova e deixarmos o passado. Muitas vezes, o nosso senso carnal nos diz que estamos certos, que somos assim. E com o tempo, vamos acreditando nessa falsidade que nos é colocada em nosso pensamento.
O CONVERTER-SE EM CRISTO, nada mais é do que isso. Muitas vezes, Deus passa do nosso lado, nos chamando a conversão, mas nós não o escutamos.
A conversão dos discípulos se deu através do CHAMADO, e esse mesmo chamado Deus nos faz a cada dia. Deus nos chama para sermos firmes em seu amor. Só que muitas vezes acontece de estarmos com os ouvidos fechados, não querendo escutar a voz da verdade. Muitas vezes endurecemos o nosso coração a Deus, que o seu amor encontra uma barreira que demora a germinar.
Aceitar Cristo como única verdade e Senhor de nossas vidas nada mais é do que fazer uma enorme mudança de nossas vidas. Quando pegamos o Evangelho vemos claramente que os discípulos foram chamados por Jesus e pelo amor de Deus foram sendo remodelados. Mateus foi chamado quando coletava impostos ao governo. Simão – Pedro – e André, seu irmão, foram chamados, juntamente com Thiago e João, no momento em que trabalhavam na pesca. E mesmo sendo louca e fora do comum a proposta de Jesus eles largaram tudo e O seguiram, mudaram de vida e de atitude.
Mas essa mudança de atitude não se deu rapidamente, tudo foi mudando com o tempo. O amor de Jesus inundava o coração deles a cada momento que eles estavam com o Mestre, e assim eles iam mudando seus atos até mesmo sem perceberem. Uma mudança gradual e perpétua. O mesmo acontece com cada um e cada uma, a mudança de vida não ocorre do dia para a noite, mas sim o com tempo. Com a oração diária e momentânea.
Quando nos abrimos integralmente a Cristo, estamos abrindo o nosso coração a Ele. Entregamos tudo o que somos e temos para que Ele tome conta e restaure. Quando queremos a CONVERSÃO e batalhamos para que ela chegue ao nosso coração, somos inundados num amor tão profundo que não sabemos explicar de onde vem tanta graça.
A partir do momento que nos deixamos tocar por esse amor, somos envolvidos no que há de mais maravilhoso. Muitas vezes não conseguimos entender bem o que se passa conosco, mas sabemos que essa busca pela conversão deve ser diária, para que não nos afastemos desse lindo envolver de espírito.
Quando nos convertemos, nos convertemos graças a linda mão do Senhor!

Paulo de Oliveira dos Santos